A crise política no comando do futebol mundial atingiu o seu nível mais crítico. Neste sábado (1º), a Uefa declarou publicamente que perdeu a confiança na liderança do presidente da FIFA, Gianni Infantino. A manifestação dura da confederação europeia ocorre poucas horas após Infantino anunciar a desistência de um polêmico projeto que previa a venda de participações comerciais das competições da entidade a investidores privados.
Mesmo com o recuo do dirigente suíço diante da forte oposição de federações continentais e ameaças de boicote às próximas edições da Copa do Mundo, a entidade europeia afirmou que o cancelamento da proposta não encerra o desgaste político no futebol global.
O Projeto da Discórdia: US$ 20 Bilhões em Jogo
A tensão escalou após a apresentação de uma proposta para a criação da FIFA Forward Enterprise, uma subsidiária avaliada em cerca de US$ 20 bilhões que passaria a gerir os direitos operacionais e comerciais de torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
O plano previa a venda de até 20% das ações dessa nova estrutura para um consórcio de fundos de investimento liderado pela gestora Thrive Eternal e estruturado pelo banco JP Morgan, com potencial de arrecadar até US$ 4,2 bilhões.
A iniciativa provocou reação imediata e conjunta da Uefa, Concacaf e AFC, além da renúncia de assessores internos da FIFA, culminando no recuo formal do presidente da entidade máxima do esporte.

Acusações de Falta de Transparência e Quebra de Promessas
Em nota oficial conjunta apoiada pelas 55 associações filiadas, a Uefa adotou um tom incisivo e relembrou os compromissos assumidos por Infantino ao assumir a presidência da FIFA em 2016. A entidade europeia classificou o arranjo das negociações como “sórdido e obscuro”, cobrando investigações profundas e a reformulação na gestão dos recursos da entidade.
“O atual comando perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol. A reconstrução da confiança na FIFA apenas começou.”
Desdobramentos para o Futuro do Futebol Mundial
Com as eleições para a presidência da FIFA previstas para 2027, o movimento liderado pela Uefa sinaliza uma grande fratura política nos bastidores do esporte. As federações europeias defendem agora a utilização das reservas financeiras acumuladas pela FIFA para repasses diretos ao futebol de base dos 211 países membros, sem a necessidade de parcerias com o capital privado em ativos estratégicos do torneio mundial.
Fonte da notícia: ge.globo / Futebol Internacional





